eu tava lá


Internacional x Atlético – Camp. Brasileiro de 2011
7 julho 2011, 1:13 pm
Filed under: poltrona

longe dos olhos

moça do telemarketing: em que posso ajudar, senhor?

eu: eu quero cancelar meu pay-per-view do Campeonato Brasileiro.

moça do telemarketing: e qual o motivo, senhor?

eu: você vai escrever mesmo o que eu disser?

moça do telemarketing: claro, senhor.

eu: meu time é uma porcaria.

moça do telemarketing:  senhor, a gente tem uma promoção: os próximos dois meses de mensalidade pela metade do preço.

eu: muito obrigado. dessa vez, eu não quero nem de graça, (eu tinha ganhado dois meses de graça, ano passado, com a mesma conversa)

moça do telemarketing (segurando o riso): e qual é o seu time, senhor?

eu: você promete que não vai rir?

ela prometeu. eu: Atlético Mineiro.

coincidência ou não, depois disso, ela estava estando cancelando meu pay-per-view com uma rapidez inacreditável, visto que é mais fácil terminar um namoro pelo telefone do que cancelar qualquer serviço pelo telemarketing.

ninguém entende você como ela.



Democrata de Sete Lagoas x Bela Vista – começo do século XX
28 abril 2011, 8:20 pm
Filed under: eu não tava lá

amadores

eu não tava lá. mas meu avô contou pro meu pai, que me contou e os meus genes confirmaram. calculo que o caso aconteceu entre as décadas de 10 e 30, numa época em que o valor de um jogador não era medido pelo preço do gel importado que ele leva no cabelo.

como eu já disse aqui, o Bela Vista de Sete Lagoas é o time do coração da minha família. meu avô, Chico Raposo, foi atacante e depois técnico do BeVê. e o maior clássico da cidade era Bela Vista x Democrata. o Vô Chico, mesmo, só foi ao campo do Democrata, que ficava a dois quarteirões do campo do Bela Vista, pra jogar ou treinar o BV. ele não pisava no estádio do adversário. e isso não é lenda: ele me falou, quando era vivo.

num jogo qualquer, meu avô estava mais uma vez diante do Dr. Juvenal, goleiro do Democrata e seu maior rival. tenho pra mim que foi o Dr. Juvenal, e não o Sócrates, quem inventou essa história de médico jogar futebol.

durante o jogo, numa disputa de bola, começou a confusão. o Vô Chico saiu na mão com o Dr. Juvenal, passando do football para o pugilato. lá pelas tantas, meu avô arma um soco e… desloca o braço. pararam a briga. e adivinha quem colocou o braço do Vô Chico no lugar? pois é.

eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia...



Palmeiras x Santo André – Copa do Brasil 2011
27 abril 2011, 12:50 pm
Filed under: poltrona

na arena com os leões

um sujeito fala ao celular enquanto atravessa a rua. chegando ao outro lado, alguém assalta o rapaz e leva seu iPhone. ele até toma um tiro, que pega de raspão. minutos depois, a polícia prende o assaltante. devido à repercussão do fato, o assaltado é chamado para dar entrevista para a televisão local. os entrevistadores dizem:

- “vem cá: mas você precisava mesmo atravessar aquela rua falando ao celular? não dava pra fazer isso calado?”

- “você atravessa a rua falando ao celular porque precisa mesmo ou é pra fazer uma firula?”

- “você não acha que, ao ostentar um iPhone enquanto atravessa a rua, o assaltante pode se sentir ofendido e resolver te roubar?”

- “eu acho válido atravessar a rua falando ao celular, desde que não se desrespeite as outras pessoas.”

foi esse tipo de coisa que o Valdívia, do Palmeiras, teve que ouvir no Arena Sportv, na última segunda feira. tudo porque usou da habilidade que tinha enquanto apanhava dos beques do Santo André MMA Team. agora é assim: quem tem que dar explicações é quem apanha, não quem bate.

vai começar o segundo tempo.



Huracán x Boca Juniors – Clausura 2011
25 abril 2011, 8:03 pm
Filed under: eu não tava lá

o otimista do gol e o pessimista do texto

peço licença a este site para reproduzir as palavras de um centroavante, depois de um gol. os nomes dos jogadores serão omitidos, a princípio:

“no momento do gol, do desafogo, queria abraçar todos os meus companheiros. (o jogador A) veio me buscar, me desviei um pouco dele porque queria abraçar (o jogador B). não tinha braços para abraçar todos. mas tenho de agradecer (ao jogador B)… meus companheiros estavam mais ansiosos que eu… o apoio da comissão técnica foi vital. (o treinador) está me bancando. além disso, os torcedores, que me estimularam sempre que eu falhava”.

quem disse isso não foi o Ricardo Bueno (até porque, para dizer isso, é preciso fazer um gol). nem um atacante em início de carreira, doido pra mostrar serviço. muito menos o cara que marcou o gol do título do último campeonato brasileiro (esse aí prefere dizer coisas menos sensatas). quem soltou essa frase digna de último jogador a ser escolhido na pelada foi Martin Palermo. o maior artilheiro da história do Boca Juniors, com 194 gols só com a camisa xeneize (pense nisso toda vez que bater aquela tentação de chamar o Luis Fabiano de goleador).

os jogadores que ele queria abraçar não eram dois ídolos, mas os imberbes Pablo Mouche e Christian Chavez. Palermo ainda disse que “tirou um peso das costas” e “nem conseguiu dormir à noite”, pois estava numa seca de dez rodadas sem marcar, coisa que nunca tinha acontecido com ele (é o que todos dizem).

mas porque tudo isso, se a história nem é tão boa assim? é que vivemos tempos sombrios, companheiro. uma época em que o Jael (???) da Portuguesa se autodenomina @Jael_Gol no twitter. entendeu? em tempos assim, é de se lamentar a iminente – e muito provavelmente melancólica – despedida de jogadores como Palermo. eu, sinceramente, não me conformo.

Palermo, el verdadero macaquito, se pendura no travessão pra fazer o gol.



Grêmio Prudente x Atlético – Copa do Brasil
1 abril 2011, 8:51 pm
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aos pernas de pau

um brinde aos pernas de pau.

aqueles cujo nome ninguém lembra. e, quando lembra, não faz ideia da cara.

aos pernas de pau de todos os tipos. os tímidos, que se escondem até atrás do juiz pra não receber a bola. os atrevidos, que passam o pé em cima da bola e caem. os maratonistas, que só sabem correr. os clássicos, que dominam a bola na canela. os que têm habilidade mas não têm inteligência. e os que podem até ter inteligência, mas ninguém sabe porque eles não têm habilidade.

muito magros, muito gordos, muito fracos, muito fortes, muito baixos, muito altos: essa é pra vocês.

para os Walkers, Wivers, Toninhos Pereira, Canelas, Altivos, Genalvos, Rildos, Buenos e Volneys. todo time já teve pelo menos um.

olha, a gente também gosta muito de ver vocês jogarem quando vai ao campo ou liga a TV.

porque tropeçar na bola diante do zagueiro, quando ele esperava levar um drible desconcertante, também é enganar o adversário.

você confiaria num centroavante que bufa de alívio depois que faz gol?



Cruzeiro x Atlético – Camp. Mineiro de 2011
21 fevereiro 2011, 8:20 pm
Filed under: poltrona

a felicidade que eu desejo

tirei um cochilo e acordei assustado. quando liguei a televisão, tinha acabado de começar o segundo tempo.

mesmo num jogo bom como esse, chega uma hora que a bola para. aí você olha em volta e vê a mulher que você ama lendo um livro na rede. você vê a filha que você ama brincando com a cachorrinha que ela ama. vê a casa que vocês três estão montando juntos. vê que você tá fazendo o que mais gosta: vendo um jogo de bola.

é nessa hora que, como disse um amigo meu, você percebe que as coisas estão andando. que a vida é cheia de problemas, mas tá indo.

e que o tipo de felicidade que você deseja a qualquer pessoa não é a de uma vitória de 4 a 3 em cima do maior rival.

a felicidade que você deseja a todo mundo é a desse momento.

dá cá um abraço que hoje eu tô emotivo, amigão.



Atlético x River Plate-URU – Amistoso
27 janeiro 2011, 11:58 am
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futebol (masculino) é coisa de homem

“futebol é coisa de branco”. no final do século XIX, essa devia ser a frase mais falada nas resenhas entre cavalheiros, depois dos jogos, entre um brandy e outro. os clubes de football eram fechados aos escravos recém-libertos, e só por volta da década de 20 os negros sentiram o gostinho de jogar num time. e ainda foi bem amargo: eram obrigados a usar toucas e pó de arroz para esconder os cabelos crespos e a cor da pele.

quase 100 anos depois, tristemente, o racismo que obrigou os negros a esconderem a cara continua lá. só que o futebol mudou pra sempre, graças ao pessoal de touca e pó na cara. entre outras coisas, eles nos deram de presente a bicicleta, a folha-seca e a camisa 10, inventada por um Rei.

mas aí, hoje, alguém senta na resenha e solta: “futebol é coisa de macho”. agora danou-se. vão dizer que homossexual só pode jogar se coçar o saco e cantar a bandeirinha Ana Paula de 5 em 5 minutos? será que vai precisar de mais de 100 anos de terapia coletiva pros gays poderem jogar futebol tranquilos?

falo isso porque eu nunca entendi a implicância de muitos torcedores do São Paulo com o Richarlyson. não interessa se ele é ou não é homossexual. ontem, mesmo, ele foi um dos melhores em campo e saiu aplaudido pela torcida.  jogador tem é que jogar bola. porque vou te falar: tá cheio de macho por aí que não tem resolvido de jeito nenhum. o Leandro e o Ricardo Bueno que o digam.

joga bola, jogador.



Santos x Atlético-GO – Camp. Brasileiro de 2010
16 setembro 2010, 8:31 pm
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o chefe do Neymar

Neymar era um menino comum. desses que nascem todo dia na periferia, com nome diferente e tudo.

cresceu ali, no meio dos outros meninos da rua. grosso, era um dos últimos a ser escolhido nas peladas do bairro. sem muitos outros talentos, aproveitou a primeira oportunidade que apareceu: a de contínuo num escritório, aos 17.

logo na primeira semana de trabalho resolveu cortar o cabelo ao estilo moicano. pura graça de quem tá felizão porque acabou de conseguir o primeiro emprego. quando o chefe viu, mandou cortar e quase deu um pedala Robinho no menino. logo um pedala Robinho, homenagem torta ao ídolo dele no Santos, que voltou da Europa mas não foi capaz de levar o time além das quartas de final da Copa do Brasil.

o negócio do cabelo deixou o garoto puto  – “babaca esse cara”. parece que Neymar, como tantos outros garotos, começava a ter problemas com autoridade. mas quem é que se preocupava com isso?

com um mês de escritório, ele já era o melhor contínuo do lugar. um dia, chegou atrasado e recebeu bronca do chefe. ficou puto. “babaca esse cara”. Neymar, como tantos outros garotos que vivem por aí, tinha mesmo problema com autoridade. mas quem é que ligava pra isso?

mais um mês e Neymar já tinha a total confiança do chefe. era conta? joga no Neymar que não tem erro. até que um dia teve. além de uma senhora bronca, o rapaz foi multado. engoliu seco e saiu da sala cabisbaixo, falando consigo mesmo:

- se eu fosse maior do que esse cara, ele ia ver. mandava à merda…

"esse ano eu vou comprar uma moto na prestação."



Eslovênia x Inglaterra – Copa do Mundo de 2010
23 junho 2010, 8:57 pm
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spaghetti football

o inglês do father Joel fez muita gente rir. tudo bem que alguns riram por puro preconceito e outros só sabiam que tava errado porque alguém contou. mas, politicamente-corretismos à parte, era mesmo de rolar de rir.

pois quem acompanha as entrevistas depois dos jogos da Inglaterra na Copa acaba de conhecer o father Capello, que não chega aos pés do nosso Joel (Brasil-il-il-il!) , mas é um representante legítimo do inglês macarrônico.

só por curiosidade: alguém sabe como se diz “in de midiu” em italiano?




França x África do Sul – Copa do Mundo de 2010
22 junho 2010, 3:30 pm
Filed under: poltrona

futebologia

o tradutor do google me diz que mesa redonda, em francês, é table ronde. pois bem. tá rolando uma table ronde num canal qualquer da TV francesa,sobre a convocação da seleção nacional deles. um dos comentaristas diz:

- não gostei da convocação, mes amis. esse goleiro, por exemplo: é do signo de libra! todo mundo sabe que libra é indeciso. na hora de pegar um pênalti, não vai saber pra que lado pular. desastre!

- beeem pontuado, Marcel! exatamente. mas o que me preocupa de verdade é esse volante ariano, aqui. muito impulsivo, muito agressivo. anota aí: ele vai ser expulso na hora mais complicada pra gente, hein. e tem mais: meia de ligação leonino é problema: egocêntrico demais. não joga pro time.

- é pior que isso, Hénri. é pior! o ascendente dele é em câncer: pre-gui-ço-so. preguiçoso e egocêntrico, mes amis téléspectateurs.

- e esse zagueiro virginiano?

- tímido demais.

- o lateral geminiano?

- inconsequente.

- esse atacante pisciano?

- confuso, confuso.

- olha, com esse time vai ser complicado. eu tô falando, esse técnico convoca errado, ele é teimoso. só por curiosidade: olha na internet em que dia ele nasceu. olha aí.

- rá! taurino!

- tragédie, tragédie.

tá achando que é gozação?




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