eu tava lá


ATLÉTICO x TIJUANA – LIBERTADORES 2013
21 janeiro 2014, 6:43 pm
Filed under: arquibancada

o primeiro milagre

sou um torcedor supersticioso. e não olhe para mim como se você também não fosse.

por superstição, eu assisti a Libertadores inteira com os mesmos dois amigos, no mesmo lugar do estádio (ouvi dizer que tinha um antigo cemitério indío debaixo do lugar onde a gente fica). a tática deu certo desde o Brasileirão e estava funcionando de novo até o juiz apitar aquele pênalti pro Tijuana.

e pênalti não tem conversa: em 2 segundos, o goleiro decide pra que lado pula e você decide pra que lado olha.

escolhi olhar no olho do capeta. São Victor acertou o lado e eu também. continuei com a superstição e ainda ganhei um padroeiro.

depois de um tempão (de comemoração, de choro, de putaqueopariuéomelhorgoleirodobrasil e por aí vai), a gente percebeu que estava faltando alguém na turma. não demorou 5 minutos e ele chegou, esbaforido.

– onde você tava?

– na hora do pênalti eu apelei e fui embora. quando eu tava descendo a rua, alguém gritou “pegou!”. eu disse “não brinca comigo”. o cara repetiu: “o Victor pegou o pênalti”. daí eu deitei no asfalto e fiquei lá.

daqui a 50 anos, todo atleticano vai contar o que estava fazendo na hora do primeiro milagre de São Victor. meu amigo vai dizer pros netos, com orgulho, que estava na sarjeta.

em homenagem ao aniversário de São Victor, padroeiro das causas mais do que impossíveis.



Ideal x Bela Vista – Década de 1940 ou 50
2 novembro 2012, 6:35 pm
Filed under: eu não tava lá

o roubo do século

mais uma do meu avô Chico Raposo, que foi jogador e técnico de futebol amador em Sete Lagoas, como já falei aqui e aqui.

o que eu descobri faz pouco tempo é que ele também foi juiz. (ou seja: aos olhos de algum torcedor mais exaltado pela cachaça, eu já fui bisneto de uma senhora de reputação duvidosa).

o negócio é que todo mundo na cidade sabia que o time de coração do meu avô era o Bela Vista. então, pra ninguém duvidar da honestidade dele, ele roubava contra o Bela Vista (chupa, STJD).

conta-se que no jogo contra o Ideal ele estava exagerando. e a torcida do Bevê queria entrar em campo pra colocar em prática o velho bordão “juiz ladrão, porrada é solução”.

resultado: quem  acabou tendo que entrar em campo foi um sargento, para garantir a segurança do meliante.

a cada som do apito, o sargento perguntava:

– de quem é a bola?

– é deles.

– então cobra.

“o cara inverteu a vigésima falta. vamos precisar de reforços.”



Qualquer Jogo – Camp. Brasileiro de 2012
1 novembro 2012, 11:03 pm
Filed under: arquibancada

perder um craque é pior do que perder um título

não estou desmerecendo o título que talvez não venha. meu time precisava muito dele. pra gente, campeão já deixou de ser um grito na garganta e passou a ser um peso nas costas. eu nem consigo mais imaginar o que vou fazer quando o tão sonhado campeonato chegar.

só estou tentando falar da importância do craque.

o Mundial Interclubes de 72 não tira ninguém de casa para ir ao campo.

o Brasileirão de 83 não faz ninguém pagar 60 reais num ingresso.

título é orgasmo. alguns são com a mulher mais gostosa do mundo e outros com a mão. mas o resultado é o mesmo: gozou, acabou.

ter um craque é como estar casado com uma Scarlett Johansson, especialista em sexo tântrico, que tá sempre a fim. você não sabe o que vai acontecer, mas sabe que vai ser bom.

eu trocaria mais 41 anos sem título por 41 anos com um craque.

porque 2012 tá sendo muito bom pra gente.

fica, craque. vai ter Libertadores.

“oh, yes, please, don’t stop!



Atlético x Internacional – Camp. Brasileiro de 2011
7 julho 2011, 1:13 pm
Filed under: poltrona

longe dos olhos

moça do telemarketing: em que posso ajudar, senhor?

eu: eu quero cancelar meu pay-per-view do Campeonato Brasileiro.

moça do telemarketing: e qual o motivo, senhor?

eu: você vai escrever mesmo o que eu disser?

moça do telemarketing: claro, senhor.

eu: meu time é uma porcaria.

moça do telemarketing:  senhor, a gente tem uma promoção: os próximos dois meses de mensalidade pela metade do preço.

eu: muito obrigado. dessa vez, eu não quero nem de graça, (eu tinha ganhado dois meses de graça, ano passado, com a mesma conversa)

moça do telemarketing (segurando o riso): e qual é o seu time, senhor?

eu: você promete que não vai rir?

ela prometeu. eu: Atlético Mineiro.

coincidência ou não, depois disso, ela estava estando cancelando meu pay-per-view com uma rapidez inacreditável, visto que é mais fácil terminar um namoro pelo telefone do que cancelar qualquer serviço pelo telemarketing.

ninguém entende você como ela.



Democrata de Sete Lagoas x Bela Vista – começo do século XX
28 abril 2011, 8:20 pm
Filed under: eu não tava lá

amadores

eu não tava lá. mas meu avô contou pro meu pai, que me contou e os meus genes confirmaram. calculo que o caso aconteceu entre as décadas de 10 e 30, numa época em que o valor de um jogador não era medido pelo preço do gel importado que ele leva no cabelo.

como eu já disse aqui, o Bela Vista de Sete Lagoas é o time do coração da minha família. meu avô, Chico Raposo, foi atacante e depois técnico do BeVê. e o maior clássico da cidade era Bela Vista x Democrata. o Vô Chico, mesmo, só foi ao campo do Democrata, que ficava a dois quarteirões do campo do Bela Vista, pra jogar ou treinar o BV. ele não pisava no estádio do adversário. e isso não é lenda: ele me falou, quando era vivo.

num jogo qualquer, meu avô estava mais uma vez diante do Dr. Juvenal, goleiro do Democrata e seu maior rival. tenho pra mim que foi o Dr. Juvenal, e não o Sócrates, quem inventou essa história de médico jogar futebol.

durante o jogo, numa disputa de bola, começou a confusão. o Vô Chico saiu na mão com o Dr. Juvenal, passando do football para o pugilato. lá pelas tantas, meu avô arma um soco e… desloca o braço. pararam a briga. e adivinha quem colocou o braço do Vô Chico no lugar? pois é.

eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia...



Palmeiras x Santo André – Copa do Brasil 2011
27 abril 2011, 12:50 pm
Filed under: poltrona

na arena com os leões

um sujeito fala ao celular enquanto atravessa a rua. chegando ao outro lado, alguém assalta o rapaz e leva seu iPhone. ele até toma um tiro, que pega de raspão. minutos depois, a polícia prende o assaltante. devido à repercussão do fato, o assaltado é chamado para dar entrevista para a televisão local. os entrevistadores dizem:

– “vem cá: mas você precisava mesmo atravessar aquela rua falando ao celular? não dava pra fazer isso calado?”

– “você atravessa a rua falando ao celular porque precisa mesmo ou é pra fazer uma firula?”

– “você não acha que, ao ostentar um iPhone enquanto atravessa a rua, o assaltante pode se sentir ofendido e resolver te roubar?”

– “eu acho válido atravessar a rua falando ao celular, desde que não se desrespeite as outras pessoas.”

foi esse tipo de coisa que o Valdívia, do Palmeiras, teve que ouvir no Arena Sportv, na última segunda feira. tudo porque usou da habilidade que tinha enquanto apanhava dos beques do Santo André MMA Team. agora é assim: quem tem que dar explicações é quem apanha, não quem bate.

vai começar o segundo tempo.



Huracán x Boca Juniors – Clausura 2011
25 abril 2011, 8:03 pm
Filed under: eu não tava lá

o otimista do gol e o pessimista do texto

peço licença a este site para reproduzir as palavras de um centroavante, depois de um gol. os nomes dos jogadores serão omitidos, a princípio:

“no momento do gol, do desafogo, queria abraçar todos os meus companheiros. (o jogador A) veio me buscar, me desviei um pouco dele porque queria abraçar (o jogador B). não tinha braços para abraçar todos. mas tenho de agradecer (ao jogador B)… meus companheiros estavam mais ansiosos que eu… o apoio da comissão técnica foi vital. (o treinador) está me bancando. além disso, os torcedores, que me estimularam sempre que eu falhava”.

quem disse isso não foi o Ricardo Bueno (até porque, para dizer isso, é preciso fazer um gol). nem um atacante em início de carreira, doido pra mostrar serviço. muito menos o cara que marcou o gol do título do último campeonato brasileiro (esse aí prefere dizer coisas menos sensatas). quem soltou essa frase digna de último jogador a ser escolhido na pelada foi Martin Palermo. o maior artilheiro da história do Boca Juniors, com 194 gols só com a camisa xeneize (pense nisso toda vez que bater aquela tentação de chamar o Luis Fabiano de goleador).

os jogadores que ele queria abraçar não eram dois ídolos, mas os imberbes Pablo Mouche e Christian Chavez. Palermo ainda disse que “tirou um peso das costas” e “nem conseguiu dormir à noite”, pois estava numa seca de dez rodadas sem marcar, coisa que nunca tinha acontecido com ele (é o que todos dizem).

mas porque tudo isso, se a história nem é tão boa assim? é que vivemos tempos sombrios, companheiro. uma época em que o Jael (???) da Portuguesa se autodenomina @Jael_Gol no twitter. entendeu? em tempos assim, é de se lamentar a iminente – e muito provavelmente melancólica – despedida de jogadores como Palermo. eu, sinceramente, não me conformo.

Palermo, el verdadero macaquito, se pendura no travessão pra fazer o gol.




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