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o grito dos excluídos
em homenagem a C. J. Roth.
ufa, perdemos mais um título. é menos um fardo pesado de glórias para carregar. estamos cada vez mais livres da necessidade de continuar grandes e vencedores. demos mais um passo importante rumo à salutar mediocridade.
essa obrigação de ganhar título todo ano, senão entra na “fila”, é um saco. é que tem muito pouca coisa em disputa pra tanto time. tirando a cota de 3 títulos/ano do São Paulo, sobram 1 ou 2 a serem disputados por 10 ou 15 equipes.
vejam os argentinos. eles podem andar apanhando quando o assunto é influência regional, imprensa golpista ou seleções comandadas por ex-jogadores mas, quando o assunto é distribuição de títulos, eles é que deviam ser os modelos.
os argentinos têm 2 campeões nacionais por ano, o do Apertura e o do Clausura. um título a mais, num país que tem tantos candidatos quanto o nosso, faz muita diferença. no Brasileirão, poderia ser a salvação.
olha a lista dos últimos campeões argentinos, desde 2003 (ano do primeiro Brasileirão por pontos corridos):
2003 – River (Clausura) e Boca (Apertura)
2004 – River (Clausura) e Newell’s (Apertura)
2005 – Vélez (Clausura) e Boca (Apertura)
2006 – Boca (Clausura) e Estudiantes (Apertura)
2007 – San Lorenzo (Clausura) e Lanús (Apertura)
2008 – River (Clausura) e Boca (Apertura)
2009 – Vélez (Clausura)
foram 7 campeões diferentes contra apenas 4 no Brasil (Cruzeiro, Santos, Corinthians e São Paulo). e o maior candidato a ganhar o Apertura 2009 é o Banfield, enquanto aqui corremos o risco de tirar outra figurinha repetida do pacotinho.
nos últimos 10 anos, até Racing e Independiente, os dois clubes de Avellaneda, com seus passados gloriosos e realidades medianas, levantaram o caneco. o Racing, depois de 30 anos.
sem-taças do mundo, uni-vos! vamos começar a campanha por dois títulos brasileiros ao ano. seu time merece essa taça. mesmo sabendo que quem vai levar é o São Paulo.
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os fantasmas dos campeonatos passados
não sei o que me deixou mais tenso no sábado: a longa turbulência entre Ilhéus e BH ou aquela bola do jogador do Vitória que rolou na linha do gol e saiu.
de susto em susto, dizem por aí que só faltam 7 adversários até a taça. eu, desconfiado que só, acho que falta pelo menos mais um: o combinado dos fantasmas que o Galo e seu comandante colecionaram ao longo dos anos. passando por esse time, a taça de campeão brasileiro volta pra casa.
como passar? bom, tá na hora de segurar os fantasmas de 99 e 76 que, como dois atacantes ensaboados que só, escaparam na última hora.
desarmar os cerebrais fantasmas de 85 e 97, capazes de criar o complexo de que o Galo, quando precisa ganhar, pode falhar até contra times de menor expressão.
passar pela dupla de volantes 2004 e 2005 e recuperar o prestígio e o respeito abalados.
superar a terrível dupla 80 e 81, dois zagueiros botinudos que insistem em nos lembrar que, por mais que as pancadas doam – e como os erros dos juízes ainda doem – não adianta pagar de vítima. tem que passar por cima.
evitar os ataques pelos flancos de 97 e 2001, tinhosos, com suas teorias da conspiração de esquema Parmalat e de que até a chuva trabalha pro eixo Rio-São Paulo vencer. sem essa, vamos parar de bobagem.
depois, é só furar a meta do fantasma de 2008, este de propriedade de um certo Celso Juarez Roth. como um bom goleiro, ele tem o poder de fazer o Sêo Celso tomar sempre a pior decisão quando está na cara do gol. e até hoje o gaúcho não conseguiu vencê-lo.
o tal time pode até ser de outro mundo. mas o nosso tem mostrado que também é.
e podem secar, não acreditar, desprezar e até mesmo rir por antecipação, certos de que um fantasma desse vai nos vencer. a massa que empurra contra qualquer equipe não vai negar seu apoio logo contra essa.
EXORCIZA ELES, GALO!
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quando gira o mundo (ou: como me tornei um colunista de notas depois de um jogo sem nada digno de nota)
- calor extremo = preguiça. preguiça = notas.
- estamos de volta ao G-16.
- no primeiro turno, a essa hora, eu tava bem mais animado.
- anota aí: Celso Roth nunca será um técnico vencedor porque não gosta de vencer. é pessoal.
- não dá pra manter o otimismo (e, muitas vezes, o bom humor) com o ex-bigodudo de técnico.
- o lado bom é que parece que não somos mais um desses time-escada, eternos candidatos à Série B, e seguimos no bom caminho. até segunda ordem.
- há um ano atrás, o incauto torcedor de QUALQUER time me diria: quem empata com o Atlético Mineiro não pode pensar em título. e eu não poderia dizer nada. hoje, eu é que digo: quem empata com o Náutico não pode pensar em título. e, cá entre nós, os timbus não podem dizer nada. melhorou, mas…
- …um time só ganha – ou recupera – o respeito aproveitando a má fase dos outros. feito o Grêmio que deu um sacode no Flu pra mostrar logo quem é que manda. o Galo ainda tem muito respeito pra recuperar. e não vai ser empatando com o Náutico que vai conseguir.
- a boa notícia é que ainda dá tempo. é só ganhar de São Paulo, Palmeiras, Inter, Flamengo, Corinthians e Cruzeiro. isso vai trazer o título, o respeito e, se bobear, até o Kafunga de volta.
- no mais, Deus salve o América. agora, o Ipatinga tem um adversário à altura na segundona. meu pai tava lá e, quem sabe, um dia vai contar como foi.
- por falar na B, ouvi dizer que o Chico está compondo uma guarânia em parceria com Arthur Moreira Lima e Evandro Mesquita. aguardemos.
- e, como nota de rodapé, o Hélio dos Anjos revelou que não trabalha com homossexual. é que onde se ganha o pão não se come a carne.
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Juan Sebastian Verón joga no Estudiantes.
Juan Sebastian Verón é filho de Juan Ramón Verón, outro jogador do Estudiantes – um dos principais jogadores dos três títulos da Libertadores que os Pincharratas conquistaram, em 68, 69 e 70. e autor de gols importantes.
Juan Sebastian Verón tem o apelido de La Brujita, porque seu pai era La Bruja.
Juan Sebastian Verón nasceu, cresceu e começou a jogar bola dentro do Estudiantes.
Juan Sebastian Verón rejeitou contratos e muito dinheiro por causa de um sonho: repetir seu pai, no seu clube do coração. e depois o Ronaldo que é bacana.
Juan Sebastian Verón é, ao mesmo tempo, fã e ídolo de um clube. o sonho de todo garoto.
Juan Sebastian Verón foi o melhor em campo, no Mineirão.
Juan Sebastian Verón caiu no gramado, aos prantos, depois do apito final.
Juan Sebastian Verón é campeão da América.
congratulaciones, Brujita.
por favor, não tomem como gozação mesquinha o que é merecida homenagem.
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por um fio
começou com um pedido da mulher: ah, não faz a barba, não. tá bonitinho…
apesar das cócegas, ele concordou. além do mais, a barba dava um visual austero, menos garoto. isso devia fazer alguma diferença. mas agora não era hora de pensar no assunto: tinha jogo na tevê.
para sua surpresa, o time ganhou. fora de casa e bem. comemorou e nem pensou na barba.
durante a semana, teve que aparar a barba por causa do trabalho. quando o sábado chegou, o time empatou com um dos piores do campeonato. lamentou sem pensar na barba.
mais uma semana e a barba cresceu. no domingo, o barbudo viu o time ganhar de goleada, novamente fora de casa. bateu o estalo: opa!
outra semana brigado com o barbeiro e o time conseguiu outra vitória, jogando muito bem. agora, era líder do campeonato.
falou com os amigos da superstição. os que torciam para o mesmo time acreditaram. os que torciam para o rival, a princípio, debocharam. acontece que o time seguia ganhando enquanto ele não se barbeava. os poucos tropeços aconteciam sempre que ele aparava a barba. ainda assim, o time continuava líder e vinha a reta final.
nessa hora, não dava pra brincar: que se danem os compromissos profissionais! os companheiros de torcida aderiram à moda, mesmo sabendo que a única barba responsável por tudo aquilo era a dele. os adversários, que antes riam, andavam com máquinas de barbear nas mãos à sua procura. reza a lenda que até contrataram um ninja especialista em navalhas.
antes do último jogo do campeonato, correu o boato que levou a torcida ao desespero. o rapaz havia sido sequestrado. os facínoras teriam levado o barbudo para uma barbearia e a maquininha iria fazer a festa, ao som do hino do adversário – uma verdadeira tortura. diz-se que arrancaram todos os pelos da vítima, um por um. tudo para descobrir o pior: tinham pegado o cara errado.
na festa do título, a cidade parecia a capital de algum país muçulmano.
se Deus quiser, baseado em fatos reais.
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quinta bateria, vira, vira, vira…
o Brasileirão 2009 é um grande boteco.
mal viramos a quinta rodada e tem gente que já tá dormindo, tem gente cambaleando, tem gente em pé mas é só balançar que cai, tem gente que tá caído mas todo mundo sabe que vai levantar, tem gente que aguenta firme. e tem o Galo, o bêbado imprevisível desse copo sujo futebolístico.
o Galo é o terror dos comentaristas esportivos. porque nós, torcedores, não temos a mínima idéia de como o time segue lá, de pé. mas também não temos nada com isso.
imagina como ficam os caras que são pagos pra dizer alguma coisa? desconversam mais que marido quando a mulher pergunta se está gorda. falar o quê?
eu fui ao Mineirão ver o jogo contra o Grêmio. o time praticou o fino do futebol-telemarketing: Welton Felipe não resolve nada e está passando pro Márcio Araujo, que não resolve nada e está passando pro Leandro Almeida, que não resolve nada e está passando pro Thiago Feltri, que não resolve nada e está passando pro Carlo Alberto, até que uma hora cai a ligação. contra o Santo André foi o mesmo futebol gerundista. pensei: esse time já tem a cara do Celso Roth, e ele é feio.
só que, quando você acha que tudo tá perdido, o time começa a jogar muito bem fora de casa, na base do contraataque.
depois das vitórias contra Sport e contra o Paranaense (Atlético só existe um), o Celso já não parece tão feio assim e passamos a imaginar: será que vai? será que o Galo fica em pé até o fim?
eu sigo comemorando e segurando o bebum alvinegro com os olhos. mas, por via das dúvidas, já tomei o Engov do antes e guardei o do depois.
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em defesa do clube-empresa (ou da empresa-clube, quem sabe?)
você fez um trabalho péssimo naquele projeto. seu chefe pergunta:
- o que você tem a dizer sobre isso?
você responde:
- é, a gente deu tudo de si, mas não conseguimos o resultado. agora, é levantar a cabeça e pensar no próximo projeto.
…
você foi um dos responsáveis por um prejuízo absurdo da empresa. o CEO pergunta:
- péssimo resultado. hein, Almeida?
você responde:
- pois é, o resultado não foi bom. nós até criamos muito mas eles conseguiram aproveitar melhor as oportunidades. mas tem um ano fiscal inteiro pela frente. vamos trabalhar muito e seguir as determinações do gerente porque nada está perdido ainda.
…
na sua entrevista de emprego, o entrevistador pergunte:
- o que você pode oferecer para a empresa?
você responde:
- raça, determinação e muito empenho.
…
jogador de futebol é, sim, a melhor profissão do mundo. qualidade, talento, compromisso ou resultados? quem é que tá exigindo isso pra pagar um salário de 5 dígitos?
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divino, no futebol, só o Ademir da Guia
vai dizer que, na hora do aperto futebolístico, na bacia das almas dos 48 do segundo tempo, você nunca pediu uma forcinha divina? nem um “pelamordeDeus”? nem um “aiaiaimeuDeusdocéu”?
se você disse que não, mentiu. e cuidado que mentira é pecado.
só tem um problema: não adianta. não vai dar certo. esquece. o Deus judaico-cristão não tem nada a ver com o futebol.
você pode até achar que tem. uma prova seriam os países que venceram Copas do Mundo: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra, França. todos de maioria católica ou cristã e, por consequência, temente a Deus. mas, enquanto Israel não ganhar nem campeonato de pebolim, esse argumento é falho. vamos a argumentos mais sérios.
um exemplo? Deus é amor. e Ele ama a todos os seus filhos, de forma igual. por quê então um time é tricampeão brasileiro e outro é último no campeonato do Acre? os torcedores dos dois times rezam igual. além do mais, não existe espaço para amor dentro das quatro linhas. o futebol é a arte de enganar o outro. de trair, ser desonesto dentro das regras.
mais um? Deus é justo. e o futebol é tudo, menos justo. pergunta pro Ronaldinho Gaúcho.
outro? Deus é piedade. e não existe espaço para o perdão no futebol. ou você imagina algum atacante em pleno gozo das faculdades mentais oferecendo a outra face ao Essien, do Chelsea? melhor não.
então, vamos deixar essa divindade quieta, que ela já tem preces demais para atender. rezar por causa de futebol teria menos efeito que mandar um e-mail sobre a falta de grampos no escritório para o CEO de uma multinacional.
sendo assim: Deus, existe alguém aí em cima com paciência suficiente pra aguentar torcedor de futebol? para oferecer redenção a cabeças-de-área sem talento ou atacantes vesgos? que goste de viradas espetaculares e classificações no último minuto?
ontem, no jogo da Liga dos Campeões da Europa, eu cheguei a pensar que existia. aquele gol aos 47 do segundo tempo era o que o mundo inteiro queria, menos os blues de Londres. graças a ele (ou Ele?), teremos Barcelona e Manchester na final. não era certo, mas era justo.
à noite, eu tive certeza que não existe. o Galo faz uma remontada increíble, como dizem os argentinos, venceu o Vitória por 3 a 0, quase fez o querto, levou o jogo para os penaltis e perdeu. era certo, mas não era justo.
além do mais, se tal deus existisse, o time de um conhecido meu – um sujeito que não sabe perder – teria mais derrotas só pra ele aprender.
por isso, sou um ateu futebolístico. mas pode ser que esse deus do futebol exista, e só não goste de times com camisa listrada de preto e branco. não é mesmo, Botafogo?
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Por Guilherme Boechat
domingo, dia do primeiro jogo da final da final entre Cruzeiro e Atlético
Buenos Aires, Argentina.
16h40 – A transmissão ao vivo do globo.com informa que, após belo passe de calcanhar de Wagner, Kleber completa para o fundo da rede do goleiro Juninho.
Eu não tinha com quem comemorar. É muito solitário acompanhar um clássico em um lugar onde não falam sua língua e não dão a importância devida a um derby regional estrangeiro.
17h10 – Chega um SMS do Leo Chiquinho, dizendo “13 anos depois um gol galinha no Mineirão!!! Kleber, o galinha chorona azul!!!”
Eu já estava na fila do check in da Gol (irônico, não?) no aeroporto Ezeiza. Novamente, olhei a minha volta em busca de alguém com cara de mineiro. Nadie. Eu aflito. Nos 60 minutos seguintes esperei em vão alguma outra mensagem com o resultado do jogo.
18h10 – Feito todo o procedimento de check in, liguei pro meu pai. O diálogo foi mais ou menos assim:
- Pai?
- Gui! Cê tá no Mineirão???
- Não, tô em Buenos Aires.
- Buenos Aires? Cê não tá no Mineirão?????
- Quanto foi?
- Cinco a zero.
- Ah tá bom. Agora fala sério.
- Cinco a zero, porra!
- Mentira! Gol de quem?
- Um do Kleber, dois daquele zagueiro comprido e dois do Jonathan!
- Dois do Jonathan? Tá de sacanagem?
- Ó, foi cinco a zero mesmo. A ligação tá ruim, não tô te ouvindo direito, chegando aqui me liga.
Acho que eu era o único naquele aeroporto que queria realmente ir embora de Buenos Aires.
Não vou escrever sobre o segundo jogo. Vi pela TV, não teve graça.
Guilherme Boechat foi merecidamente campeão mineiro invicto e, como o pessoal do globo.com, não sabe que o Juninho é tudo menos goleiro.
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o amor nos tempos da cólera
sexta, dois dias antes do primeiro jogo da final entre Galo e cruzeiro
eu tremia feito vara verde.
não era medo do Ramires. é que eu tinha que entrar na casa da minha então namorada e comunicar ao pai dela que tinha raptado não apenas a filha dele, como a neta também. sem direito a resgate.
pra não ter minha cabeça decepada, garantia casamento no ano que vem. apesar de que, para mim, tô casado desde o dia em que ela me disse sim.
no fim, a benção, conselhos e todos felizes.
dito isso, uns e outros podem pensar: olha lá o vice mudando de assunto. calma, raposas velhas. eu chego lá.
domingo, dia do primeiro jogo da final da final entre Galo e cruzeiro
a Keninha aceitou casar comigo conhecendo quase todos os meus lados. menos o torcedor de futebol.
quando eu liguei a TV, ela nem imaginava o que vinha por aí.
não tem nada pior para um torcedor de futebol que se sentar em frente à TV, abrir uma cervejinha e descobrir que seu time foi escalado com 4 volantes. é mais ou menos como tirar a roupa da Gisele Bundchen e descobrir que ela é homem. nessa hora, eu já fiquei puto.
e, se esquema com muito volante já é broxante, esquema com muito volante que não sabe jogar bola é um desespero. não pega nem no tranco.
sem criatividade no meio e com uma avenida na ala esquerda (como é que um time com 4 volantes leva bola nas costas do lateral?), o Galo ficou travado e o cruzeiro foi fazendo gols. depois do quarto tento, anotado por um sujeito mediano que já deve sua carreira à defesa atleticana, eu desliguei a TV com vontade de voltar para 1993, me trancar no quarto e jogar Alex Kidd o resto da noite.
vendo tudo isso, a Keninha veio me consolar, cheia de carinho. ganhou um rosnado. ela riu da minha cena ridícula. ganhou outro rosnado. no fim, eu me deitei sozinho e rosnando.
e ela, curiosamente, não desistiu do casamento.
quarta, dia de Galo e Vitória pela Copa do Brasil
depois de mais uma atuação ridícula e outra goleada na sacola, minha cara era de quem perdeu um parente. a Keninha não aguentou (quem aguentaria?) e riu.
eu disse pra ela não rir, que era sério, rosnei e fui me deitar.
e ela, curiosamente, não desistiu do casamento.
domingo, dia do segundo jogo da final entre Galo e cruzeiro
na hora do almoço a Keninha me olha, ressabiada, e pergunta: vai ver o jogo?
eu disse que não, e que ela poderia ver o que quisesse. só que ela não quis ver nada. e eu vi o jogo.
aliás, o primeiro gol do Galo ilustra bem um tipo de amor que ajuda muito no casamento. bastou um golzinho, um gesto simples, pra eu esquecer a raiva e ter esperança de novo. pra eu me apaixonar de novo por aquele time que tinha me dado várias decepções.
não que existam crises ou decepções entre eu e a Keninha. muito pelo contrário. mas, quando eu pedi a moça em casamento, me apaixonei mais uma vez por ela. e a gente sabe que vão existir crises e decepções. mas a gente vai continuar se apaixonando de novo, por causa de coisas tão simples como um gol.
quando o jogo acabou e o Galo perdeu o título, eu precisava fazer compras. como se não bastasse, tive que aguentar o hino do cruzeiro tocando até no supermercado. ela, claro, teve que aguentar meu mau-humor. sem, curiosamente, desistir do casamento.
melhor assim. hoje eu tô feliz, casado, com uma filha linda, duas plantas e uma cachorrinha. aliás, esse pôster do cruzeiro campeão tá perfeito pra ensinar a bichinha onde fazer suas necessidades.








