Filed under: eu não tava lá
o otimista do gol e o pessimista do texto
peço licença a este site para reproduzir as palavras de um centroavante, depois de um gol. os nomes dos jogadores serão omitidos, a princípio:
“no momento do gol, do desafogo, queria abraçar todos os meus companheiros. (o jogador A) veio me buscar, me desviei um pouco dele porque queria abraçar (o jogador B). não tinha braços para abraçar todos. mas tenho de agradecer (ao jogador B)… meus companheiros estavam mais ansiosos que eu… o apoio da comissão técnica foi vital. (o treinador) está me bancando. além disso, os torcedores, que me estimularam sempre que eu falhava”.
quem disse isso não foi o Ricardo Bueno (até porque, para dizer isso, é preciso fazer um gol). nem um atacante em início de carreira, doido pra mostrar serviço. muito menos o cara que marcou o gol do título do último campeonato brasileiro (esse aí prefere dizer coisas menos sensatas). quem soltou essa frase digna de último jogador a ser escolhido na pelada foi Martin Palermo. o maior artilheiro da história do Boca Juniors, com 194 gols só com a camisa xeneize (pense nisso toda vez que bater aquela tentação de chamar o Luis Fabiano de goleador).
os jogadores que ele queria abraçar não eram dois ídolos, mas os imberbes Pablo Mouche e Christian Chavez. Palermo ainda disse que “tirou um peso das costas” e “nem conseguiu dormir à noite”, pois estava numa seca de dez rodadas sem marcar, coisa que nunca tinha acontecido com ele (é o que todos dizem).
mas porque tudo isso, se a história nem é tão boa assim? é que vivemos tempos sombrios, companheiro. uma época em que o Jael (???) da Portuguesa se autodenomina @Jael_Gol no twitter. entendeu? em tempos assim, é de se lamentar a iminente – e muito provavelmente melancólica – despedida de jogadores como Palermo. eu, sinceramente, não me conformo.
Palermo, el verdadero macaquito, se pendura no travessão pra fazer o gol.
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