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Solo Sagrado.
Por Denilson Gambito.
Um sol latejante, casas amontoadas, um mosaico cinza-chão, laranja-tijolo e madeira.
Cheiro quente, becos abafados, mil portas, janelas, gente. No céu, pipas em vôos rasantes colorem um espaço hora cortado por fios de “gato” elétrico em meio a telhados, parabólicas.
O som contínuo dos ruídos urbanos é de forma brusca interrompido pelos gritos da molecada insana atrás de uma bola feia, oval, surrada, num chão batido liso – terra – a camisa amarela do Cantagalo, time do coração, já quase sem cor.
Bem vindo à favela: mil casas em torno de um terreno retângulo. O caos acontecendo, violência, miséria, fome e, bem ali no centro da comunidade, um solo sagrado abriga o mais brasileiro dos esportes, o campo dos sonhos, o futebol.
Ali casas caem, se erguem, ruas se abrem, pessoas nascem e morrem, mas no campo de terra não se mexe, é uma mesquita voltada para a Meca do futebol – O Maracanã talvez? Não se sabe, mas aqueles moleques franzinos quando ali estão chutando sua bola se transformam em Ronaldos, Zicos, Maradonas, pelezinhos …reis. Pequenos príncipes.
Pessoas que durante a semana são apenas pessoas tornam-se, ao pisar nesse quadrado mágico, famosos, poderosos, artilheiros implacáveis. Disputados pelo seu prestígio, pelo seu carisma, o centro da mesa redonda, a resenha do morro.
A Dona senhora sessentona morena, robusta, cabelos prateados, rainha da simpatia, prepara a feijoada de domingo para o time local. Mora ao lado do bar onde são exibidos os troféus do Cantagalo, glorioso invencível time imortal.
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